FFLCH 39 X 0 Mamute/USP Lorena

25/05/2009
 

O Rugby FFLCH-USP enfim venceu na Liga Paulista de Rugby Universitário! Foi em sua última partida, contra a aguerrida equipe dos Mamutes, da USP de Lorena. A partida foi realizada novamente no Estádio do Ibirapuera e deu à FFLCH o sexto lugar da Segunda Divisão Universitário. O primeiro passa para o crescimento de uma equipe que há muito estava afastada das competições oficiais de rugby de XV. O resumo do partida pode ser lido em http://blogdorugby.wordpress.com/2009/05/25/fflch-obtem-primeira-vitoria-no-campeonato/, mas decidimos dar algo especial aos leitores do site. Uma crônica que revelasse nosso sentimento sobre a partida, escrita pelo nosso hooker, Gaúcho, um dos jogadores que há mais tempo participa de nossa equipe e que foi um dos nomes fflchianos do torneio.

Encerro dizendo que a partida do dia 24/5 foi um grande momento para o Rugby FFLCH e esperamos ver muitos mais desses momentos no futuro próximo. Desde os primeiros esforços de Dunga, os primeiros treinos e toda a força de Paolo, aos treinos do último ano sob o comando de Tim Baines e os incentivos do half fauano Ken, nosso time alcançou tão almejada vitória.

Escrito por: Victor Ramalho, diretor de modalidade do Rugby FFLCH-USP

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Crônica FFLCH X Mamutes
 
O que se espera de um jogo entre dois times que disputam a última
colocação de um campeonato? E ainda mais no rugby, onde a total
humilhação vem sob a forma de uma desonrosa "colher-de-pau"?
Na briga do esfomeado com o morto-de-fome, espera-se que o jogo ,
pouco técnico, seja jogado na raça e na vontade, no "peitaço" como
dizem os patrícios do sul. É o jogo da vida das duas equipes que, aos
trancos e barrancos, conseguiram montar times competitivos que deram
muito trabalho às outras equipes do certame; mas agora, a honra, tão
citada no código de ética do esporte, estava a ser disputada, o
orgulho, e a esperança de uma vitória próxima.
O jogo abriria a rodada no Constâncio Vaz Guimarães, estádio já mítico
para o rugby universitário paulistano. A tarde do domingo passava
modorrenta para os jogadores, pensava-se em rugby, comia-se rugby,
respirava-se rugby, sentia-se o rugby.
Os desfalques da FFLCH abatiam a equipe, que comemorava cada vez que
um companheiro chegava, na esperança de completar um time, e evitar
mais uma derrota, a pior, do semestre. Desta vez não havia torcida,
não havia bateria, não havia rivalidade. Iríamos jogar contra nós
mesmos, contra nossos próprios medos. A favor de nós, a virtude do
espírito indomável que é inerente ao fefelchiano.
Vestiário, tensão. Os cheiros se misturam, Calminex, Gelol, Salompas,
Biofenac. O único barulho que se escuta são as travas de alumínio
acariciando as lajotas do chão, mistura de sinfonia de anjos com
grilhões do inferno. É chegada a hora, redenção ou vergonha eterna.
Aos futuros intelectuais da nação, coube improvisar, o técnico não
apareceu, o abertura não apareceu. O asa aberto Filipe "Kid", com sua
indumentária gaulesa, foi designado para integrar os ¾ como 2º centro,
e Fernando "Alemão", antes 1º centro, tornou-se abertura da equipe
alvi-laranja.
Em campo ouve-se apenas gritos esparsos do time feminino vindos da
arquibancada, arrancando sorrisos dos mais rudes pilares, dando
esperança aos jogadores. A preleção é emocionante, palavras de apoio,
dicas, são todos irmãos, é o começo de uma nova era para o rugby FFLCH.
No começo, vontade e garra, o 1º try sai com uma jogada que já é de
praxe da FFLCH, scrum nas 5 adversária, bola garantida, 8º sai jogando
e força a entrada no in-goal. Guilherme "Pesca" marca seu primeiro try
na Liga, mas como de costume, machuca-se gravemente no rosto ao
defender à pressão dos Mamutes que se sucedeu nos minutos seguintes, e
acaba saindo, dando lugar ao geofísico Igor "Babalu".
Os Mamutes, da extinta FAENQUIL, tentam em vão transpor o paredão de
fowards fefelechianos, que combatiam com o mesmo ímpeto que
combateriam a brigada de choque da polícia estadual. Os próximos
minutos voltam à normalidade, com um novo ataque dos uspianos. No
primeiro tempo ficou clara a estratégia de jogo bolada pelo capitão
Davi: assegurada a bola nos rucks pela 1ª e 2ª linha, a jogada era
para a linha, apoiada pelos asas, assim, sobrava sempre um desmarcado.
Dessa forma saiu o 2º try fefelechiano, boa infiltração da linha, três
rucks na linha de 22 adversária e finalização do hooker Guilherme
"Gaúcho". Essa foi a única conversão do abertura Fernando "Alemão".
A partir dos 30' da 1ª etapa, estava dado o predomínio da equipe do
Butantã. O pack fefelechiano liderado por Renan era incontestavelmente
mais pesado e fechado, ganhando diversas formações fixas de scrum e
até mesmo line-outs. Enquanto isso, a ligeira linha trabalha bem a
bola com rápidas infiltrações, sempre apoiados pelos fowards mais
velozes, situação clara nos trys do asa Thiago "Taubaté" e do abertura
Fernando "Alemão".
A expectativa no intervalo era grande. A FFLCH havia aberto uma
vantagem de 4 trys e uma conversão, feito inimaginável nos 8 anos de
time. Mas do contrário que se poderia imaginar, os brios e a
concentração continuaram intactos, os 15 jogadores, cansados, voltaram
a campo com o objetivo de ampliar a vantagem.
Após bela infiltração da jogada da linha, Filipe "Kid" deixou sua
marca aos 10', seguindo o padrão de jogo tradicional da FFLCH. Na
metade da 2ª etapa, saiu o try mais bonito da partida. Line-out bem
executado na linha das 10, o capitão e scrum-half achou uma falha
defensiva entre o scrum e o abertura adversário e avançou vários
metros, aplicou um dummy no centro adversário e só foi parado pelo
fullback da equipe azul, mas sem ates passar a bola para Guilherme
"Jarda" que completou o 6º try da FFLCH. Guilherme "Gaúcho" chutou e
converteu pela 2ª vez na noite para a equipe fefelechiana.
Liquidada a partida, o mais fefelechiano dos Ecanos, Matthias ainda
achou tempo de anotar mais um tento para o time, na conversão, Marco
"Juds", ridiculamente, não teve permissão do juiz para chutar por
demorar demais.
Gallo apitou o fim da partida. Estava feito. O Rugby FFLCH, da
Gloriosa Associação Atlética Acadêmica Oswald de Andrade, atingira um
novo patamar. Há um ano atrás, estudávamos para saber como se segurava
a bola ovalada, hoje, colhemos os frutos que nós mesmo plantamos.
Ficou assim: FFLCH 39 X 0 MAMUTES
E que fique na lembrança de cada um que lá esteve, rugby é uma
estrutura em construção, cada faz a sua parte, cada um dá a sua
contribuição, listo, temos o resultado.

Escrito por: Guilherme Mongeló, o Gaúcho, hooker do Rugby FFLCH-USP

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Escalação do Rugby FFLCH USP:

1- Renan, 2- Gaúcho, 3- Chileno, 4- Harry, 5- Juds, 6- Matthias, 7- Taubaté, 8- Pesca; 9- Davi (capitão), 10- Alemão, 11- Victor, 12- Kid, 13- Jarda, 14- Caique e 15- Sleepin. 16- Baballu, 17- Zé Colméia e 18- Zangieff.

 


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